Minha trajetória profissional começou pelo meu próprio anseio de me compreender e encontrar respostas para minhas dores e angústias mais profundas — dores da alma que apertavam meu peito, davam um nó na minha garganta e travavam meu fluir na vida.
Com o tempo, compreendi que isso não era uma punição da vida, mas sim uma forma da vida me mostrar o que estava fora de ordem e o que precisava ser visto, aceito e liberado dentro de mim.
Mesmo fazendo terapia há um bom tempo, tinha uma sensação constante de continuar patinando no mesmo lugar. Eu falava, mas, depois de um tempo, o mesmo incômodo continuava lá. Com o passar do tempo, fui me frustrando. Eu falava, mas não me sentia compreendida, ouvida, e algo se fechava dentro de mim.
E, dentro dessa minha busca, descobri que a chave para minha verdadeira liberdade já morava dentro de mim. Eu só precisava de auxílio para acessá-la.
Descobri que somos muito mais leais do que livres e mergulhei a fundo nos estudos sobre as Constelações Familiares. Afinal, eram muitas histórias não vistas e silenciadas no meu sistema familiar.
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Mas foi a Focalização que veio e transformou — e transforma — minha vida diariamente. Foi através dela que minha vida e as sessões que ofereço de acompanhamento e constelação ganharam ainda mais profundidade, conexão, gentileza e humanização para acompanhar minhas clientes em seus processos.
Muitos mostram a cura como algo simples e até mesmo fácil de se atravessar, mas a verdade é que não é. É doloroso, é visceral, é complexo, é processual e, muitas vezes, precisamos de uma mão para nos acompanhar.
Vivenciamos lutos, nos despimos de máscaras e padrões que não nos servem mais e, mesmo assim, é um processo libertador e CHEIO de vida. Porque, a cada transformação, mais vida pode pulsar dentro de nós e mais a alma se sente ouvida.
Não existe fórmula mágica, mas existe um caminho. Às vezes, sentimos um desconforto que desejamos que suma, ao invés de escutá-lo. Afinal, fazer companhia para o que dói pode não ser nada confortável, por isso ser acompanhado é tão importante nesse processo.
O processo de pegar na própria mão, para cuidar de si e olhar os porões internos, requer muita coragem.
Para mim, essa é a verdadeira coragem: coragem de ouvir e fazer companhia para nossas sombras e feridas, coragem de olhar partes nossas que se sentiram só na dor. Olhar para dentro requer muita coragem.
E, quando nos escutamos internamente, o alívio é sentido no corpo, na alma. E isso é o incrível e contraditório ao mesmo tempo.
Você acha que fugir da dor está sendo forte — e está —, mas provavelmente isso mais te machuca do que te ajuda de fato. Porque, quando paramos de fugir e escutamos o que o incômodo quer mostrar, algo se transforma de dentro para fora. Isso, para mim, é a verdadeira coragem.